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USDT e USDC: quais são as diferenças e como funcionam?

Operações financeiras
Operações financeiras

5 min de leitura

Por: Confidence Câmbio • 9/09/2026

Stablecoins como USDT e USDC ganharam relevância à medida que novas tecnologias passaram a integrar câmbio, ativos virtuais e movimentações internacionais. Ambas têm o dólar americano como referência, mas apresentam diferenças importantes em liquidez, reservas, governança e infraestrutura.

Para empresas com exposição internacional, essas soluções ampliam as possibilidades de transferência de recursos para o exterior e podem trazer mais agilidade e eficiência às operações financeiras. Entender as características de cada stablecoin ajuda a identificar como elas podem se encaixar na estratégia financeira da sua empresa.

O que são USDT e USDC e como funcionam?

USDT e USDC são stablecoins, ativos virtuais desenvolvidos para manter seu valor atrelado a uma moeda fiduciária. Nos dois casos, a referência é o referência é o dólar o objetivo de preservar uma cotação próxima de US$ 1 por unidade.

Essa característica diferencia as stablecoins de criptoativos sujeitos a oscilações mais intensas de preço. No entanto, estabilidade não significa ausência de risco.

A manutenção da paridade depende de fatores como reservas do emissor, liquidez, mecanismos de resgate, infraestrutura tecnológica e condições de mercado. Para empresas

com exposição internacional, esses elementos ajudam a avaliar se a stablecoin é compatível com o objetivo da operação, o fluxo financeiro e o nível de risco aceitável.

Por isso, a análise não deve se limitar à referência ao dólar: a estrutura de cada stablecoin também pode influenciar a disponibilidade dos recursos, a segurança da operação e sua aderência à estratégia financeira da empresa.

Qual é a diferença entre USDT e USDC?

Embora tenham o dólar como referência, USDT e USDC não possuem estruturas idênticas.

O USDT, emitido pela Tether, ganhou escala principalmente pela ampla liquidez e presença no mercado global de ativos virtuais. O USDC, por sua vez, foi desenvolvido com forte integração a diferentes infraestruturas financeiras e de pagamentos, além da divulgação periódica de informações relacionadas às suas reservas.

Para uma tesouraria corporativa, portanto, a comparação não deve se limitar à cotação ou ao volume negociado. É necessário considerar liquidez, qualidade e composição das reservas, contraparte, governança, infraestrutura utilizada e requisitos de compliance.

Esses critérios têm implicações distintas para a operação. A liquidez, por exemplo, está relacionada à capacidade de movimentar os recursos quando necessário; reservas e governança entram na avaliação de risco; e a infraestrutura utilizada pode afetar a compatibilidade com os fluxos financeiros e operacionais da empresa.

Em outras palavras, duas stablecoins podem acompanhar a mesma moeda e, ainda assim, apresentar perfis de risco e características operacionais diferentes.

Como USDT e USDC podem ser usados em operações internacionais?

O avanço das stablecoins está relacionado à transformação da infraestrutura global de pagamentos. Por operarem sobre redes blockchain, esses ativos digitais podem permitir movimentações em diferentes horários e geografias, criando possibilidades para transferência e liquidação de recursos no ambiente virtual.

Para empresas envolvidas em importação, exportação e transações financeiras internacionais, essa evolução merece atenção. Novas infraestruturas podem alterar a forma como recursos circulam entre empresas, instituições financeiras e mercados.

Isso não significa, porém, que stablecoins substituam automaticamente os meios tradicionais de pagamento ou as operações convencionais de câmbio. A decisão depende do objetivo da operação e deve considerar fatores como custos, prazo, liquidez, contraparte, disponibilidade dos recursos, infraestrutura utilizada e enquadramento regulatório.

Leia mais: Como estruturar operações internacionais escaláveis?

USDT e USDC podem proteger uma operação contra a variação do dólar?

A relação de USDT e USDC com o dólar pode levar à interpretação de que stablecoins funcionam como instrumentos de hedge cambial. Para empresas, entretanto, essa associação exige cautela.

Manter recursos em um ativo referenciado no dólar pode gerar exposição econômica à moeda americana, mas isso não equivale necessariamente a uma estratégia estruturada de proteção cambial.

O hedge corporativo considera fatores como fluxo financeiro, prazo, moeda, volatilidade, exposição e tolerância ao risco. Instrumentos tradicionais de proteção cambial são estruturados justamente a partir dessas variáveis.

Por isso, stablecoins devem ser avaliadas dentro de uma estratégia financeira mais ampla, e não como substitutas automáticas dos instrumentos utilizados para administrar oscilações do câmbio. Deter um ativo referenciado em dólar e administrar uma exposição cambial futura são decisões com objetivos, riscos e estruturas distintos.

Quais são os riscos de usar USDT e USDC?

A estabilidade em relação ao dólar reduz um tipo de volatilidade, mas não elimina outros riscos. Um dos principais pontos é a capacidade do emissor de sustentar a paridade do ativo virtual. Isso torna a composição e a liquidez das reservas relevantes para avaliar a robustez de uma stablecoin.

Há ainda riscos relacionados à contraparte, às plataformas utilizadas, à infraestrutura blockchain, à custódia dos ativos e à própria liquidez em situações de maior estresse de mercado. Para empresas, soma-se a esses fatores a necessidade de acompanhar a evolução regulatória dos ativos virtuais, especialmente quando sua utilização envolve pagamentos internacionais.

A análise, portanto, precisa ir além da estabilidade de preço e considerar todo o fluxo da operação: de onde os recursos partem, por qual infraestrutura circulam, onde ficam custodiados e como poderão ser convertidos ou utilizados quando necessário.

Leia mais: O que é NDF e como ele reduz riscos no câmbio corporativo

O que empresas devem avaliar antes de usar stablecoins?

No contexto empresarial, a escolha entre USDT e USDC deve considerar a necessidade financeira ou operacional associada à operação. A primeira pergunta não deveria ser “USDT ou USDC?”, mas “qual problema pretendemos resolver?”.

A partir dessa definição, a análise deve considerar finalidade da operação, liquidez necessária, custos, contraparte, reservas, custódia, infraestrutura tecnológica, compliance e aderência às políticas internas da organização.

É necessário ainda avaliar como uma eventual utilização se relaciona com a estratégia de caixa e com a exposição cambial da companhia. Isso significa analisar não apenas qual ativo virtual utilizar, mas também em que contexto ele faria sentido, por quanto tempo os recursos permaneceriam nessa estrutura, quais riscos seriam assumidos e como a operação se integraria aos demais fluxos financeiros da empresa.

Esse cuidado evita que uma decisão sobre inovação tecnológica seja tomada de forma isolada da estratégia financeira.

Leia mais: Criptomoedas podem ajudar a fugir da inflação?

Como as stablecoins podem transformar o mercado de câmbio?

A expansão das stablecoins faz parte de um movimento mais amplo de transformação da infraestrutura financeira global. Tokenização, blockchain e novos modelos de pagamento estão aproximando sistemas financeiros tradicionais de estruturas digitais capazes de movimentar recursos em escala internacional.

Para empresas que atuam no comércio exterior, o principal impacto pode estar menos na substituição imediata dos instrumentos existentes e mais na ampliação das alternativas disponíveis para pagamentos, liquidação e gestão de recursos internacionais.

Para áreas financeiras e de Tesouraria, isso adiciona uma nova variável à tomada de decisão: além de acompanhar câmbio, liquidez e exposição, torna-se necessário entender quais infraestruturas podem ser adequadas a cada tipo de fluxo internacional.

Nesse ambiente, acompanhar a evolução tecnológica e regulatória torna-se parte da própria gestão financeira. A inovação pode trazer eficiência. Mas, em operações internacionais, eficiência precisa caminhar ao lado de governança, segurança, compliance e gestão de riscos.

Leia mais: Como a taxa de juros influencia no mercado de câmbio

Conte com o Banco Travelex em suas operações internacionais

À medida que pagamentos e operações financeiras internacionais incorporam novas tecnologias, empresas precisam avaliar inovação e gestão cambial de maneira integrada.

Contar com uma instituição especializada em câmbio contribui para estruturar decisões considerando as características da operação, a exposição em moeda estrangeira e as necessidades financeiras da empresa.

O Banco Travelex reúne experiência no mercado cambial e soluções para empresas que realizam operações internacionais, apoiando seus clientes em pagamentos, recebimentos e demais necessidades relacionadas ao câmbio.

Ao avaliar novas alternativas para movimentações internacionais, o suporte especializado contribui para analisar cada operação dentro de uma visão mais ampla de caixa, exposição cambial, riscos e necessidades do negócio.

Avalie como stablecoins podem fazer parte da estratégia financeira da sua empresa. Fale com os especialistas do Banco Travelex.

Por dentro do tema

O que são USDT e USDC?

Resposta: USDT e USDC são stablecoins referenciadas no dólar americano. O objetivo desses ativos virtuais é manter valor próximo de US$ 1 por unidade, de acordo com os mecanismos e reservas estabelecidos por seus emissores.

Qual é a principal diferença entre USDT e USDC?

Resposta: As diferenças envolvem aspectos como emissor, reservas, governança, liquidez, infraestrutura e integração com diferentes participantes do mercado financeiro. Esses fatores podem representar características operacionais e perfis de risco distintos.

Stablecoins substituem o hedge cambial?

Resposta: Não necessariamente. Manter um ativo referenciado no dólar pode gerar exposição à moeda americana, mas uma estratégia de hedge considera fluxos, prazos, riscos e instrumentos específicos de proteção cambial.

O que uma empresa deve analisar antes de usar stablecoins?

Resposta: Finalidade da operação, liquidez, custos, contraparte, reservas, custódia, segurança, compliance, ambiente regulatório e compatibilidade com a política financeira e de riscos da empresa. É importante ainda entender como a utilização se conecta à gestão de caixa e à exposição cambial da companhia.

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