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O que é stablecoin e como funciona?
6 min de leitura
Stablecoins vêm ganhando espaço nas discussões sobre pagamentos internacionais, gestão de liquidez e infraestrutura financeira. Segundo o Bank for International Settlements (BIS), a capitalização global desse mercado chegou a US$ 320 bilhões no fim de maio de 2026, embora seu uso na economia real ainda represente uma parcela limitada dos volumes transacionados.
Em operações de importação, exportação ou outros fluxos financeiros entre diferentes países, o interesse está em entender se o uso de stablecoins podem contribuir para tornar determinadas operações internacionais mais eficientes.
A resposta depende menos da tecnologia isoladamente e mais de fatores como custo total da operação, regulação e exposição cambial.
O que é stablecoins e por que ganhou espaço no câmbio?
Stablecoins são ativos virtuais desenvolvidos para acompanhar o valor de uma moeda fiduciária, como o dólar. Essa estrutura busca reduzir oscilações de preço e oferecer maior estabilidade em relação a outros criptoativos.
No Brasil, a Resolução BCB nº 520 estabelece requisitos relacionados ao lastro, às reservas e aos mecanismos de estabilização de ativos virtuais. Nas stablecoins
referenciadas ao dólar, por exemplo, o objetivo é preservar uma relação próxima de US$ 1 por token. Diferentemente de criptoativos sujeitos a oscilações mais intensas, essa estrutura busca oferecer maior estabilidade de preço.
Isso não significa, porém, ausência de risco. A solidez de uma stablecoin depende de fatores como qualidade das reservas, governança do emissor, acesso à liquidez e mecanismos de resgate.
Em sentido amplo, o mercado também utiliza o termo stablecoin para estruturas baseadas em outros mecanismos de estabilização. Para empresas que operam no ambiente regulatório brasileiro, o Banco Central estabelece requisitos específicos para os ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária e para sua oferta por meio de Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV).
Leia mais: Entenda por que usar um banco regulado em operações de câmbio
O que a regulamentação brasileira estabelece para operações com stablecoins?
O avanço regulatório aproxima o mercado de ativos virtuais das exigências de governança, segurança e transparência já presentes no sistema financeiro.
No Brasil, esse arcabouço ganhou uma estrutura mais definida a partir das Resoluções BCB nº 519, 520 e 521. O primeiro item estabelece regras para a autorização de PSAV. Já a segunda regulamentação disciplina sua constituição e funcionamento, além da prestação desses serviços por outras instituições autorizadas pelo Banco Central. Já o último item incorpora determinadas operações envolvendo ativos virtuais ao arcabouço do mercado de câmbio.
Em agosto de 2026, o Banco Central também publicou a Resolução BCB nº 584, que amplia os procedimentos e controles de prevenção a fraudes relacionados à prestação de serviços de ativos virtuais. As medidas previstas nesse item entram em vigor em 1º de janeiro de 2027.
Para empresas que utilizam stablecoins em fluxos internacionais, a análise deve considerar o enquadramento regulatório, as instituições participantes, os controles de segurança e compliance e as responsabilidades envolvidas em cada etapa da operação.
Leia mais: Banco Central do Brasil: entenda suas principais funções
Como stablecoins podem ser usadas em pagamentos internacionais?
Um dos principais casos de uso de stablecoins está na transferência de valores por meio de infraestruturas blockchain. Um estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou em cerca de US$ 1,5 trilhão os fluxos transfronteiriços com esse tipo de ativo virtual em 2024. O próprio estudo, porém, ressalta que esse montante ainda representa uma parcela pequena do mercado global de pagamentos internacionais.
Em determinados contextos, stablecoins podem permitir movimentações em regime contínuo e liquidação mais rápida, reduzindo algumas das fricções presentes nos pagamentos internacionais. Na gestão de tesouraria, entretanto, velocidade não é sinônimo de eficiência financeira.
A análise precisa considerar o fluxo completo: aquisição da stablecoin, conversão entre moedas, custos de transação, liquidez, resgate, compliance, infraestrutura tecnológica e riscos das instituições envolvidas.
É essa conta, e não apenas o tempo de liquidação, que determina a eficiência da operação.
Leia mais: Pagamentos internacionais: guia completo para empresas
Stablecoins podem substituir as operações tradicionais de câmbio?
No estágio atual do mercado, é mais adequado entender stablecoins como uma infraestrutura adicional para determinadas movimentações financeiras, e não como substitutas automáticas das operações tradicionais.
Comércio exterior envolve contratos, documentação, tributação, compliance, gestão de liquidez e exposição cambial. A tecnologia utilizada para movimentar recursos representa apenas uma parte dessa estrutura.
A questão, portanto, não é simplesmente escolher entre stablecoin ou câmbio tradicional, mas identificar em quais situações uma nova infraestrutura pode gerar eficiência financeira e operacional sem comprometer governança, segurança e previsibilidade.
Leia mais: O que avaliar antes de fechar uma operação internacional
Stablecoins reduzem custos no comércio exterior?
O uso de stablecoins pode reduzir determinadas fricções operacionais, mas isso não significa que a operação será necessariamente mais vantajosa.
Para importadores e exportadores, o custo relevante é o da operação de ponta a ponta. Uma transferência internacional pode perder atratividade se houver custos elevados na conversão entre moeda fiduciária e stablecoin, baixa liquidez ou riscos adicionais de contraparte. Empresas com volumes internacionais relevantes precisam, portanto, comparar alternativas considerando custo, prazo, liquidez, segurança e complexidade operacional.
Essa análise é especialmente importante para organizações que movimentam diferentes moedas e precisam conciliar pagamentos, recebimentos e necessidades de caixa em diversas jurisdições.
Leia mais: Conheça soluções de câmbio para importação e exportação
Stablecoins eliminam o risco cambial?
Esse é um ponto particularmente relevante para empresas com exposição internacional. Uma stablecoin referenciada em dólar pode representar digitalmente um valor próximo à moeda americana, mas isso não elimina a variação do dólar em relação ao real ou a outras moedas.
Uma importadora brasileira com obrigações em dólar, por exemplo, continua exposta à oscilação cambial entre o momento da contratação e o pagamento, dependendo da estrutura financeira adotada.
Por isso, stablecoins e proteção cambial cumprem funções diferentes. A tecnologia pode alterar a forma como determinados recursos são movimentados, mas a gestão das exposições em moeda estrangeira continua sendo uma decisão financeira específica.
Leia mais: Os principais erros na gestão da exposição cambial
Quais outros riscos estão associados ao uso de stablecoins?
A estabilidade de preço não elimina os riscos associados ao instrumento. Empresas devem avaliar a composição e a qualidade das reservas que sustentam o ativo, a transparência do emissor, a capacidade de resgate e a liquidez disponível. É preciso ainda analisar os riscos relacionados à infraestrutura e à contraparte, além dos requisitos de compliance e do enquadramento regulatório da operação.
A Resolução BCB nº 520 reforça essa abordagem ao exigir critérios relacionados à estrutura das stablecoins, à comprovação do lastro e aos riscos associados ao emissor e à custódia dos ativos de reserva.
Em outras palavras, não basta perguntar qual stablecoin acompanha o dólar. Para uma decisão corporativa, é necessário entender quem sustenta essa paridade, como ela é mantida e quais riscos a empresa assume ao utilizar o ativo.
Leia mais: Como reduzir riscos em operações internacionais
O que avaliar antes de utilizar stablecoins em operações internacionais?
Antes de incorporar stablecoins a um fluxo financeiro, a análise deve considerar algumas questões objetivas:
· Emissor e reservas: quem emite o ativo e quais garantias sustentam sua paridade?
· Liquidez e resgate: a empresa consegue converter posições em moeda fiduciária quando necessário?
· Custo total: quanto custa todo o fluxo, incluindo aquisição, transferência, conversão e resgate?
· Contraparte e infraestrutura: quais instituições e plataformas participam da operação?
· Regulação e compliance: como a estrutura se enquadra nas regras aplicáveis?
· Exposição cambial: quais riscos de moeda permanecem mesmo após a adoção da stablecoin?
É importante ainda avaliar esses fatores em conjunto. Uma estrutura com liquidação mais rápida, por exemplo, pode não representar ganho efetivo se exigir maior complexidade operacional, apresentar liquidez insuficiente ou adicionar riscos que não existiam no fluxo anterior.
Para empresas com operações internacionais relevantes, essas perguntas ajudam a separar inovação tecnológica de eficiência financeira efetiva.
Leia mais: Ativos virtuais para empresas
Conte com o Banco Travelex para suas operações com stablecoins
A expansão das stablecoins aproxima ainda mais as discussões sobre ativos virtuais, pagamentos e câmbio. Para empresas, porém, sua adoção exige uma análise que vá além da velocidade de transferência ou da tecnologia utilizada.
É preciso avaliar se o uso de stablecoins reduz custos, melhora a liquidez e simplifica a movimentação dos recursos sem ampliar os riscos, a dependência de contrapartes ou as exigências regulatórias da operação.
Nesse cenário, conhecimento especializado sobre câmbio e operações internacionais torna-se ainda mais relevante.
O Banco Travelex acompanha a evolução das infraestruturas financeiras e do ambiente regulatório relacionado aos ativos virtuais, combinando sua experiência em câmbio e operações internacionais à análise dos desafios e das oportunidades que essas transformações podem trazer para empresas com fluxos globais.
Fale com nossos especialistas para entender as alternativas disponíveis para as necessidades internacionais da sua empresa.
Por dentro do tema
Qual é a relação entre stablecoins e moedas fiduciárias?
Resposta: As stablecoins referenciadas em moedas fiduciárias são estruturadas para acompanhar o valor de moedas como dólar ou euro. Essa referência busca reduzir oscilações de preço, mas a stablecoin permanece um ativo virtual, com estrutura, reservas, liquidez, riscos e enquadramento regulatório próprios.
Stablecoins eliminam a exposição cambial?
Resposta: Empresas com receitas e despesas vinculadas a stablecoins continuam expostas às variações cambiais. Ativos virtuais e proteção cambial têm funções distintas e devem ser avaliadas separadamente, de acordo com estrutura, riscos e objetivos de cada operação.
Stablecoins podem tornar pagamentos internacionais mais eficientes?
Resposta: Em determinados fluxos, o uso de stablecoins pode reduzir tempo de liquidação e algumas fricções operacionais. A vantagem deve ser avaliada considerando o custo total, liquidez, conversão, contraparte, compliance e riscos envolvidos.
O que empresas devem analisar antes de utilizar stablecoins?
Resposta: Emissor, reservas, liquidez, resgate, custos, contraparte, infraestrutura, enquadramento regulatório e exposição cambial estão entre os principais critérios.
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